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Imunidade e condicionamento

Data de postagem 14/06/2022 | escrito por

O corpo humano possui a capacidade natural de se proteger de alterações e situações adversas através de robustos sistemas de defesa como a pele, os músculos e o principal deles: o sistema imunológico. Descubra a relação entre a imunidade e o condicionamento do seu corpo.

O sistema imunológico é organizado da seguinte forma: os leucócitos, que surgem a partir da medula óssea, são responsáveis por “eliminar” corpos estranhos que geram algum alerta. 

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Os linfócitos nos acompanham desde o nascimento e são distribuídos por todo nosso organismo, agindo contra infecções ou situações que comprometam o seu funcionamento normal. 

Quando o corpo humano se encontra íntegro e estável pode ser capaz de repelir, ou atenuar, os sintomas no organismo gerando imunidade, isso inclui o recente vírus da COVID-19.

Composição do sistema imunológico

O sistema imunológico é dividido em duas partes que agem de formas diferentes. 

Primeiro temos a imunidade inata. Esta nasce com o indivíduo em forma de barreiras de proteção, tais como mucosas, pele e agentes internos como os leucócitos. 

Quando o corpo humano entra em contato com um corpo estranho, ele se utiliza desses recursos que servem como primeira linha de defesa, agindo assim que um invasor é identificado. 

Por ser a resposta mais rápida do corpo humano, age de forma não específica tendo o mesmo padrão de defesa para todas as alterações do corpo.

Já a imunidade adquirida, que é a nossa segunda forma de ação do sistema imunológico, é mais específica e o seu desenvolvimento depende do contato com o agente invasor. 

Desta maneira responde de forma mais lenta, porém, o agente invasor é identificado e atacado de forma coordenada e específica pelo nosso organismo, sendo produzidos anticorpos.

Diante do surgimento da COVID-19 foi possível notar como o sistema imunológico saudável e um organismo condicionado são essenciais no combate deste vírus. 

Como age o COVID19

O COVID19 age diretamente sobre o nosso sistema respiratório através de gotículas de secreção infectadas. Essa infecção pode ocorrer tanto por contato direto, com pessoas contaminadas, quanto indireto, através de ambientes e objetos contaminados. 

Por ser uma micropartícula, as defesas naturais das vias aéreas não são capazes de conter o vírus.

Uma vez dentro do organismo começa a atacar as células presentes nas fossas nasais, laringe e traqueia, manifestando os primeiros sintomas como a tosse seca, dor de garganta e a perda olfativa.

O corpo estranho possui uma camada proteica a qual o organismo humano possui receptores nas células do sistema respiratório, logo ele consegue facilmente se conectar a esses receptores e alterar sua função biológica, obrigando-lhes produzir seu material genético (RNA).

A célula após produzir inúmeras cópias do vírus, sofre um processo de “morte programada” liberando todo o material viral. 

Os vírus, por sua vez, repetem todo o processo de invasão em células vizinhas, controlando e se espalhando por todo o sistema respiratório.

Ao dominar as vias aéreas superiores, o vírus se multiplica rapidamente até alcançar os pulmões, onde desencadeia um quadro inflamatório grave afetando o funcionamento dos alvéolos que são os responsáveis pela troca de oxigênio no sangue.

Com o transporte sanguíneo afetado, o corpo humano não consegue expelir o gás carbônico (Co₂) , ocasionando um processo conhecido como acidose respiratória. 

Quando o Co₂ permanece em grandes quantidades e por períodos prolongados, altera o pH sanguíneo gerando a falta de ar. Principal sintoma e quadro de pessoas infectadas pela COVID-19.

A importância do condicionamento físico para a imunidade

Um sistema imunológico saudável e eficaz deve ter a capacidade de perceber e identificar as mudanças no ambiente, para responder adequadamente quando for exposto, bloqueando e impedindo que o invasor consiga infectar o organismo e desencadear essa cascata de alterações que comprometam a estrutura física e prejudiquem ou retardem a sua recuperação por completo.

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Por mais que tenhamos essa capacidade de defesa intrinseca, é preciso manter uma rotina de atividades físicas e alimentação balanceada para estimular a homeostase orgânica, gerando para o sistema imunológico melhores condições de enfrentar eventuais infecções.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de água e a ingestão de alimentos saudáveis são essenciais para a otimização do sistema imunológico, pois fornecem excelentes nutrientes de alto valor biológico para o organismo 

Todas as vitaminas ingeridas em uma alimentação saudável são responsáveis por combater sintomas gripais e possuem ação direta no controle do ferro, substância presente na corrente sanguínea responsável pelo transporte de oxigênio. 

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Também é citada a importância da realização de exercícios físicos e de uma boa qualidade de sono, para melhorar o condicionamento físico e distribuição de oxigênio pelo sangue, impulsionando o sistema imunológico.

A pandemia de 2020 trouxe à tona a necessidade do aumento da eficiência na ação resposta do sistema imunológico frente às infecções virais e também de um bom condicionamento físico para tornar o transporte de oxigênio e nutrientes para as células mais eficaz.

Para combater os efeitos deletérios e as sequelas musculoesqueléticas trazidas pela COVID-19, enquanto as vacinas são produzidas, testadas, distribuídas e um tratamento definitivo é estudado.

Variantes do COVID19 e impactos no sistema imunológico

Devido ao processo de mutação viral, novas versões do vírus SARS-COV₂ causador da COVID-19 surgiram pelo mundo, chamadas de variantes estas novas cepas infectam o organismo de forma mais agressiva, tornando difícil para o sistema imunológico agir de forma eficaz. 

Pessoas que possuem pouca imunidade seja por fatores socioeconômicos, físicos ou patológicos são as mais suscetíveis a sofrerem com a infecção de COVID-19 e qualquer uma de suas variantes, ficando exposto a maiores sequelas, e o risco iminente de internação e degradação física. 

Indivíduos saudáveis e com sistema imunológico agindo como esperado têm menor risco de internação e melhor prognóstico de recuperação caso tenham sido infectados.

Condicionamento físico e a resposta inflamatória

No campo do condicionamento físico notamos que a prática de exercício interfere na resposta de substâncias chamadas de citocinas. Essas podem agir a favor de mecanismos que desencadeiam respostas pró-inflamatórias ou anti-inflamatórias. 

Se exercitar não só contribui para o corpo ao longo prazo, como também ativa instantaneamente o sistema imune, deixando-o mais ativo e com ação-resposta mais apurada. 

O exercício aeróbico também favorece o fortalecimento e melhor responsividade do sistema cardiorrespiratório e melhora a distribuição de nutrientes e oxigênio pela corrente sanguínea.

Diversos estudos mostram a relação direta que o condicionamento físico tem sobre a regulação do sistema imunológico. 

Segundo estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina Esportiva, o condicionamento físico é definido como a melhora do sistema musculoesquelético e metabólico através de um conjunto de atividades físicas feitas de forma moderada e contínua.

Sistema imunológico e a importância do condicionamento físico

Devido à pandemia de COVID-19, diversas pessoas deixaram de praticar atividade física ou de cuidar da saúde.

Esse quadro somado ao envelhecimento natural, às restrições de isolamento e a falta de estímulo muscular e cognitivo em paralelo com os abalos psicológicos decorrentes do isolamento social foram os principais agentes de diminuição da capacidade de resposta do sistema imunológico frente às infecções virais.

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Frente a este cenário ficou evidente a necessidade de realização de atividades físicas moderadas com orientação profissional que levasse o organismo à homeostase orgânica para melhorar e estimular a resposta de defesa do sistema imunológico.

Estudos concluíram que práticas moderadas de atividade física reduzem o número de infecções devido às melhorias que o sistema imunológico sofre, os neutrófilos, macrófagos e as células NK, principais agentes de defesa do corpo humano, são os principais beneficiados. 

Portanto, é imprescindível reforçar a necessidade do condicionamento físicos feito a partir de treinamento para melhora da capacidade cardiorespiratória, visando promover uma resposta imunológica rápida e adequada frente às mudanças que ocorrem no ambiente em que vivemos e no corpo humano, quando infectado.

Os músculos são compostos por fibras musculares que são feitas por fileiras de proteínas chamadas de actina e miosina, quando elas são estimuladas, promovemos a chamada contração muscular, ocorre a junção e aproximação delas, gerando o movimento.

A ativação dessas proteínas e a reorganização delas, leva a aumento na eficiência de gasto energético e consumo de oxigênio, trabalhando a resistência e a força muscular.

Entre as principais formas de atividade física e de aumento do condicionamento físico, se destacam as práticas que mesclam o fortalecimento muscular visando a manutenção ou ganho da força e resistência dos músculos, que deve ser associado ao treinamento aeróbico para melhora das funções cardíacas e pulmonares.

O treino de força impacta diretamente no ganho de massa muscular, a chamada hipertrofia, que possibilita ao indivíduo retomar suas atividades anteriores a uma doença que o deixou hipotrófico e debilitado, como também pode potencializar sua força basal.

Já o treino aeróbico tem como principal benefício restaurar uma capacidade de resistência, seja motora ou respiratória, como também potencializá-la para um eventos específicos. 

O aeróbico também pode ajudar no aumento da mobilidade e flexibilidade para manutenção das capacidades funcionais.

É importante ressaltar que pacientes pós-covid devem fortalecer e dar capacidade muscular ao corpo, pois as internações hospitalares diminuem o percentual de massa muscular progressivamente e, dessa forma, diversas funções ficam afetadas como a marcha, força e equilíbrio.

Além da prática de exercícios deve haver um planejamento e repetição controlada dessas atividades de forma crônica, respeitando os limites fisiológicos, possibilitando ao organismo manter-se saudável e preparado para situações adversas.

O uso de técnicas integradas (junção de exercícios de força, mobilidade e resistência dentro de um mesmo treino) em um ambiente controlado e com orientação de um profissional capaz de avaliar, atender e planejar o melhor tratamento com as principais técnicas indicadas pelos estudos recentes, é o principal meio para obtenção de resultados que melhorem o condicionamento físico, a fim de impactar positivamente o sistema imunológico de pacientes que já sofreram com a infecção por COVID-19 ou sofrem com as sequelas causadas por ele, e também para aqueles que querem se proteger e prevenir as complicações decorrentes desta nova doença.

A prática de exercícios também é responsável pela liberação de hormônios produzidos pela hipófise através do sangue, com destaque para a Endorfina. Ela alivia sensações dolorosas e de ansiedade. Agindo na melhora do sistema imunológico por reduzir os sintomas dos agentes agressivos ao corpo, visto que a dor é um estímulo para liberação de mediadores químicos. Estes mediadores desencadeiam a ativação do sistema imune para combater o causador da injúria.

Indivíduos que já tiveram COVID-19 com sequelas motoras e físicas, diminuição de equilíbrio e evoluíram para quadro de insegurança, após a recuperação inicial, devem realizar um programa controlado com orientação multiprofissional, inclusive o fisioterapeuta, visando a melhoria contínua da capacidade pulmonar e física.

Dessa forma, permitirmos que o indivíduo esteja apto para executar demandas maiores, visando uma progressão contínua no tratamento. Voltando a sua total independência com mais segurança para realizar suas atividades diárias, retorno às atividades desportivas, podendo avançar para uma longevidade.